Como surgiu a Formação de Professores no Brasil?

Um termo muito mencionado como desafio para a melhoria da educação brasileira é Formação de Professores. Órgãos competentes juntamente com experts da área têm discutido alternativas para alavancar o índice de aprendizagem dos alunos descritos em rankings mundiais, como o PISA (sigla em inglês – Pesquisa Internacional de Avaliação de Estudantes). No entanto, encontrar soluções que sejam eficazes e que atendam à realidade brasileira não é tarefa simples.

Iniciamos o desafio de descrever como surgiu a Formação de professores no Brasil,  convidando você para refletir sobre quatro questões fundamentais:

  • Que tipos de conhecimentos os alunos precisam em sua vida adulta?
  • Que tipos de conhecimentos os professores precisam para desempenhar seu papel nas escolas? 
  • O que é ensinar e aprender? 
  • Qual é o papel do professor na escola e na sociedade?

As respostas a essas perguntas não eram as mesmas 100 anos ou até mesmo 20 anos atrás. Contudo, essas respostas têm norteado os diferentes caminhos tomados pelo governo brasileiro em relação à Formação de Professores ao longo do tempo. 

Nosso objetivo em traçar um breve histórico sobre como surgiu a formação de professores é a crença de que aprendendo sobre experiências já vividas no país, nós podemos imaginar e vislumbrar um futuro diferente para a educação. 


Linha do tempo: 

Como surgiu a Formação de Professores no Brasil


1827 – Foi promulgada a Lei das Escolas de Primeiras Letras. Determinou-se que os professores deveriam ser treinados, às próprias custas, para o uso do método nas capitais das províncias brasileiras. 

1834 – O ensino primário passou a ser responsabilidade das províncias. Foi adotado o modelo europeu de Formação de professores com a criação das Escolas Normais. As primeiras foram na Bahia (1836), Mato Grosso (1842) e São Paulo (1846).


Em geral, esperava-se que o professor tivesse total domínio do conteúdo que deveria ser transmitido em sala de aula.

1890 – A instrução pública do estado de SP foi reformada e além do enriquecimento dos conteúdos curriculares, foram acrescentados exercícios práticos de ensino em escolas experimentais a fim de preparar o professor para a realidade de sala de aula.

Ao final do século XIX, as Escolas Normais que correspondiam ao nível secundário de então (hoje seria o final do Fundamental 2 e Ensino Médio) se consolidaram na formação de docentes da época. Esses profissionais seriam os professores do ensino primário.

1924 – Foi criada a Associação Brasileira de Educação reunindo profissionais que acreditavam em novas propostas pedagógicas. Três anos depois, em 1927, aconteceu a primeira Conferência Nacional de Educação.

1932 – Houve a reforma das Escolas Normais com a criação de Institutos de Educação que buscavam consolidar um modelo pedagógico-didático de Formação de professores.

1939 – A preocupação com Formação dos Professores foi direcionada das Escolas Normais para as Universidades que tiveram como modelo a Faculdade Nacional de Filosofia, dividida nos cursos de Filosofia, Ciências, Letras e Pedagogia.

Os cursos de Licenciatura formavam os professores para diversas disciplinas do ensino secundário e os cursos de Pedagogia formavam os professores das Escolas Normais.

1946 – O Ensino Normal foi reformulado mais uma vez, sendo dividido em dois ciclos: o ciclo ginasial (4 anos) possuía currículos centrados nas disciplinas de cultura geral e o ciclo colegial (3 anos) tinha como meta formar professores do ensino primário.

Já os cursos de Licenciatura contemplavam primordialmente os conteúdos-cognitivos. Infelizmente, os aspectos pedagógicos-didáticos, ao invés de serem encarados como algo a ser assimilado na prática, foram tratados como conteúdo a ser transmitido aos futuros professores.

1968 – Com a Reforma Universitária, o objetivo central das universidades passou a ser de formar rapidamente profissionais para o mercado de trabalho.

1971 – Os ensinos primários e secundários passaram a ser chamados de Primeiro e Segundo graus.

1982 – Os cursos de Licenciatura curta (3 anos de duração) formavam professores para as últimas séries do 1º e o 2º grau. Já o curso de Pedagogia era responsável pela formação de especialistas em educação para ocupar cargos como diretor, orientador educacional, supervisor e inspetor.

1996 – Uma nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) criou Institutos de nível superior com uma Formação de Professores mais compacta como alternativa aos cursos de Pedagogia e Licenciatura.

2002 – Foram promulgadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores. A partir de então, o nível superior passou a ser condição obrigatória para professores da educação básica.


Pode-se observar uma maior preocupação com o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais necessárias para a atuação docente.

A aprendizagem do professor é marcada pelo princípio de ação-reflexão-ação e a prática deveria permear toda a formação docente.

2007 – Criação do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) com o propósito de valorizar o magistério e apoiar estudantes de licenciatura aproximando-os de escolas de educação básica para mais vivências práticas.

2009 – Foi instituída a Política Nacional para a Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica com o intuito de fomentar programas de Formação Inicial e Continuada de professores.

2018 – É apresentada a Base Nacional Comum para a Formação de Professores de Educação Básica. A proposta é a de revisar as diretrizes dos cursos de Pedagogia e das Licenciaturas para imprimir um maior foco na prática da sala de aula.


A análise da linha de tempo nos possibilita diferentes insights. Nós, da Kanttum, destacamos aqui os muitos vai e vem em relação à instituição responsável por formar professores, aos conhecimentos imprescindíveis ao professor em formação e inúmeras tentativas de aproximar o futuro professor de experiências práticas que possam prepará-lo para o dia-a-dia da sala de aula.


Ainda hoje, podemos perceber um professor que anseia pelo crescimento contínuo e valoriza as vivências de sala de aula como instrumento de aprendizagem profissional. Dessa forma, é fundamental incluir nessa renovação educacional a Formação Continuada que será responsável por envolver todos os professores em serviço a fim de atender as necessidades das novas gerações para um mundo que ainda não conhecemos.

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