A primeira vez que gravei uma aula

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Por Luciana Feruzzi – professora de língua inglesa.

Ansiosa? Sim! Mas foi uma ansiedade diferente a que senti ao gravar minha primeira aula após 25 anos de docência.

Não era um sentimento nascido da necessidade de aprovação, tão comum nos meus primeiros anos de profissão, quando um coordenador pedagógico observava minhas aulas.

Creio que minha expectativa estava mais relacionada ao temor daquilo que eu iria descobrir acerca do meu fazer pedagógico a partir de uma auto-observação

 

Luz, câmera, ação!

Ainda na sala de professores, ao me ver configurando o celular, uma colega comentou: “É hoje que você irá gravar? Nossa! Então, a aula tem que ser perfeita.” Lembro-me de ter pensado que meu anseio era justamente o oposto, o de descobrir “as imperfeições” para tentar melhorá-las!

E lá fui eu com tripé, aplicativo SerProf instalado no celular e a parafernália habitual de minhas aulas. Câmera estrategicamente posicionada, colegas intrigados passando pelo corredor e alunos curiosos: “Êta professora, pra que vai filmar a gente?”.

Expliquei que tratava-se de um projeto pessoal de observar minha prática buscando pontos de melhoria e todos entenderam bem.


No momento da aula

Observei que estava mais atenta ao meu planejamento e mais cuidadosa com as instruções que dava aos alunos, afinal ciente da rubrica que seria utilizada para analisar minha aula, não queria me equivocar com detalhes muito básicos.

Mas tomei o cuidado de ser eu mesma e de deixar os alunos bastante à vontade para que a experiência não se tornasse um recorte artificial de minha prática.

Ao final da aula, desliguei a câmera e continuei com meus afazeres administrativos dentro da escola. Mas a tal ansiedade ainda me cutucava: o que será que eu iria descobrir naquele vídeo?


Olhando para minha própria prática


Finalmente, consegui um tempo para fazer minha autorreflexão na plataforma. ‘Procure desapegar-se do papel de observada e tente ser somente a observadora’, foi essa a orientação que recebi.

A primeira sensação que tive foi de estranhamento, de não me reconhecer em muitas das minhas falas e comportamentos observados. Mas diante dos fatos, não tive outra opção a não ser a de aceitar que sou aquela professora do vídeo.

E então, fui descobrindo os recursos da plataforma, como o de permitir pausar o vídeo no momento em que a ação foi constatada e registrá-la. 

Ao fazer o exercício de associar a(s) evidência(s) ao(s) critério(s) correspondente(s) da rubrica, ‘a ficha foi caindo’ aos poucos, de forma natural: “ah, então eu poderia ter verificado melhor se os alunos tinham entendido o que era pra ser feito!” ou “puxa, perdi muito tempo nessa etapa quando eu poderia ter alternado para outra atividade imprimindo mais dinamismo ao ritmo da aula”.

Após a coleta de evidências, fiz minha autorreflexão. Será que fui crítica demais comigo mesma? Acho que não. Já estou naquela fase de aceitar e até de me divertir com meus erros, mas não de me conformar com eles. Afinal, como diz o velho ditado: ‘sempre há espaço para melhorar’!

Quer saber mais sobre como a Autorreflexão pode transformar o seu fazer docente? Leia nosso post – Autorreflexão: o poder de transformação nas mãos do professor

O que aprendi

Concluí que o maior ganho veio da oportunidade de reflexão que o processo oferece, do enfrentamento que ocorreu ao contrastar aquilo que planejei e com o que eu efetivamente executei, e de que forma minhas propostas foram recebidas e implementadas pelos alunos.

O processo me permitiu reconhecer aquilo que funcionou bem e aquilo que poderia ser melhorado, com ações simples, mas dirigidas a objetivos claros.

Passada a experiência, eu só pensava em quando é que eu poderia gravar minha aula novamente para ter a chance de implementar as mudanças que me propus a fazer.

E fiquei com aquela sensação de contentamento ao perceber que a docência me oferece novos desafios e oportunidades de crescimento a cada dia.

 

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