Falar sobre inclusão e diversidade nas nossas escolas é de extrema importância para ajudar professores e educadores na discussão que envolve o empoderamento de seus alunos como cidadãos participativos e produção de materiais adaptados para um currículo mais inclusivo. Partindo do pressuposto de que a inclusão está ligada ao envolvimento de todos no âmbito escolar, assim como na sociedade, não há como falar de inclusão e diversidade somente na escola, mas no meio em que estamos inseridos, ou seja, na nossa sociedade.

Sendo assim, para contextualizar o artigo, falo um pouco de mim. Sou mãe, educadora e trabalho com o ensino-aprendizagem de Língua Inglesa com ênfase em crianças com autismo e outras neurodiversidade (Dislexia, TDAH, Síndrome de Down). É necessário lembrarmos que segundo a Organização Mundial de Saúde estima-se que 1 entre 160 crianças possuem o Transtorno do Espectro Autismo. Dessa maneira, nós educadores e professores de todas esferas da educação encontraremos com mais facilidade casos relacionados a diferentes graus do autismo. 

Quando falamos sobre incluir essas pessoas, nos referimos não só à escola, mas também à questão de suporte educacional e multidisciplinar envolvendo tratamentos. Ainda temos um caminho longo a percorrer, pois aqui no Brasil estamos com um atraso de mais de 30 anos comparados com países desenvolvidos, que também enfrentam os desafios e obstáculos para incluí-los nas escolas. As ações tomadas até o momento em nosso país são ainda focadas em crianças e pré-adolescentes, os adultos autistas ainda sofrem com o diagnóstico tardio, o que gera uma maior dificuldade, por parte desses, de se adaptarem em determinados contextos escolares.   

Como mãe de um autista não-verbal (apraxia) e educadora, eu acredito no poder do apoio e da acessibilidade no ambiente escolar. Trazendo essas pessoas para o meio escolar, social e mercado de trabalho podemos contribuir com um grande êxito para a vida pessoal e profissional. O que não podemos é excluí-los pois assim estaremos negando o acesso ao direito conquistado por anos de luta. A lei 12.764 conhecida como Lei Berenice Piana traz a pessoa com o transtorno autista para a nossa sociedade com base na lei da inclusão. 

Apesar de movimentos de conscientização sobre o autismo, ainda existem campanhas afirmando “que o autismo deve ser erradicado, não deveria ser apoiado e nem aceito”. Esse tipo de atitude só desqualifica a ideia de inclusão e diversidade no mundo atual, onde buscamos a aceitação de minorias na sociedade. 

E afinal, o que é a ideia de inclusão? Se pegarmos a definição no dicionário Merriam-Webster veremos que inclusão “é o ato ou a prática de incluir alunos portadores de deficiências em escolas e sala de aulas regulares” da mesma forma, segundo  Nuernberg (2019) “A Educação Inclusiva consiste em superar o enfoque tecnicista e conteudista, na direção da valorização do ensino, da convivência na diversidade com equidade, respeito, reciprocidade e ética.”  Como educadores e professores nosso dever é fazer com que nossos alunos possam usufruir dos seus direitos de uma forma igualitária não excludente. 

Dito isso, vale ressaltar algumas perspectivas sobre a educação inclusiva no país. Acesso a mediação escolar, adaptação de materiais, avaliações por meio de conceitos e portfólios e a capacitação de professores e equipe de apoio para acompanhar o aluno com deficiência são algumas práticas inclusivas que as escolas deveriam tomar para trazer a acessibilidade a escolas com um currículo inclusivo.

Nos congressos e palestras dos quais participei falando sobre a educação inclusiva, 2 perguntas foram recorrentes e são essenciais para a elaboração deste artigo: 

  1. É possível incluir crianças, adolescentes e adultos com deficiência e neurodiversidades em escolas regulares sem um currículo inclusivo? 

Não há possibilidade se a escola não favorece um ambiente acolhedor para esses alunos. Existem escolas que simplesmente não apoiam os alunos com mediação ou adotam um currículo que não permite mudanças ou adaptações. Porém, com a lei vigente no país, as escolas não podem negar vaga para esses alunos e acabam utilizando materiais e ações paliativas para mantê-las na escola a fim de não sofrerem sanção da lei vigente. Definitivamente, essas não são escolas inclusivas.  

Porém, existem escolas que mesmo sendo mais tradicionais, permitem a adaptação de conteúdo e a adoção de materiais para alunos especiais, fazendo uso de práticas inclusivas para que todos tenham direito à educação que rege a lei no país. Não se trata aqui de julgar escolas tradicionais ou modernas, o questionamento é adaptar o ensino de maneira inclusiva às necessidades que todos os alunos podem apresentar. É necessário que as escolas se sensibilizem às novas demandas do mundo atual, para um olhar mais inclusivo e diverso.  

Além disso, quando a escola é um território que não tem algo atrativo para essa minoria, o mais comum de acontecer é a evasão escolar, causada pela perda de interesse por motivos de não aceitação de sua diversidade no âmbito mais complexo e por inclusão nesse grupo. O principal efeito da exclusão dessa minoria se dá por ações de bullying, quando o grupo majoritário não reconhece as diferenças entre as pessoas, e as relações refletem a falta de respeito e do espaço da minoria. 

Por esse motivo, muitas famílias de alunos com deficiências optam por não mandar seus filhos(as) às escolas, onde o padrão normal é o aceitável e correto. Até hoje, muitas crianças, adolescentes e adultos sofrem por não serem aceitos no ambiente escolar e é por isso que a educação inclusiva vem para trazer voz para essa minoria que tem sido muito negligenciada.   

2. Qual é a diferença entre Inclusão e Diversidade?

Quando falamos de diversidade, mencionamos sobre as diferenças das pessoas em relação a gênero (orientação sexual), raça, religião, etnia, condições de asilo e deficiências. A inclusão é como trabalharemos com as diferenças descritas acima adotando uma postura sem julgamentos, preconceitos ou sanções.

Em uma escola e numa sociedade inclusiva e diversa, todos são incluídos, ninguém é deixado para trás, as minorias possuem vozes e essas vozes são capazes de transformar temas transversais em ações na sociedade. Todos fazem parte da sociedade, não há espaço para exclusão. 

Devemos trabalhar com a diversidade para nos tornarmos uma sociedade inclusiva e diversa. A inclusão e a diversidade estão unidas em propósito, entretanto apresentam diretrizes e lutas próprias. 

Quanto mais diverso o mundo, mais oportunidades para inclusão teremos. 

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English Teacher, focused on Special Educational Needs and Inclusive Education

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