No esporte, uma das melhores maneiras para o atleta aperfeiçoar sua performance é assistir a vídeos que registraram as competições importantes em que esteve presente. Dessa maneira, ele e seu técnico conseguem entender os erros, acertos, oportunidades e pontos a melhorar. A partir dali, direciona-se o treino, melhora-se a alimentação, intensifica-se a busca pelo aperfeiçoamento.

Trazendo esse conceito para o universo da educação, será que nós, professores, estamos aprendendo com nossa própria performance? Será que temos um técnico que acompanha nosso desempenho em sala de aula e nos oferece orientações precisas a respeito dos pontos que podemos melhorar? Será que estamos abertos a processos diferenciados de observação, formação docente e desenvolvimento?

As novas tecnologias e metodologias de ensino-aprendizagem docente permitem apostar em modelos inovadores de desenvolvimento. Um deles, por exemplo, prevê que um par experiente, que pode ser o coordenador de curso, diretor ou professor mais experiente, adota o papel de mentor e passa a contribuir com o processo de formação por meio de feedback a partir da observação.

Essa mentoria pode ser feita com a presença física em sala de aula ou mediante o uso de dispositivos tecnológicos, que gravam a aula e convidam o professor a uma autorreflexão, com base nas habilidades que se esperam do profissional.

O que é mentoria e feedback?

Imagem: Google

Mentoria é a prática de ajudar ou de aconselhar uma pessoa menos experiente em alguma área, durante um período de tempo. Voltando ao desempenho como professores, sabemos que muitas vezes, mesmo tendo gravado e assistido às nossas próprias aulas, falhamos em perceber pontos importantes que podem ser melhorados. Ao contar com o apoio de um mentor, ele cumpre o papel de assistir ao nosso trabalho (presenciais ou gravadas) e nos ajudar a encontrar caminhos para o aperfeiçoamento por meio do feedback.

A palavra “feedback”, muito comum nas empresas, significa um processo estruturado em que se observam comportamentos e atitudes de um profissional, dentro de uma situação determinada, comparando-os ao que se espera. O feedback docente  nasce a partir de critérios pré-estabelecidos baseados no currículo escolar e nas necessidades dos alunos. Durante o processo, são identificados pontos fortes e oportunidades de melhoria, compartilhados e discutidos entre mentor e mentorado. O feedback não serve para dizer o que o outro deve ser ou fazer. Ele é um instrumento de reflexão, a partir do olhar do outro sobre nós.

No contexto da educação brasileira, a prática do feedback pode parecer para alguns como arbitrária ou controladora, mas não o é. A observação e reflexão são ferramentas poderosas para a formação de professores no Brasil, podendo promover grandes avanços desde que adotada uma metodologia adequada, que preserve o que os educadores mais prezam: sua autonomia.

Confira a seguir algumas dicas para oferecer feedback aos professores que fazem parte de sua equipe.  Assim como o atleta de alto nível pode melhorar seus indicadores, o corpo docente de sua instituição pode se desenvolver continuamente, causando o impacto desejado sobre a vida dos alunos.

Formação Docente. Por onde começar?

Imagem: Site Udesc

Defina sua fonte de evidências. Feedback é uma conversa que começa a partir da análise de evidências concretas. Quando uma aula é acompanhada ao vivo ou gravada, por exemplo, é possível  aos parceiros de mentoria qualificar o que assistem. Assim, o mentor e o professor podem analisar pontos específicos do modelo acadêmico adotado e levar para a conversa os pontos fortes e as oportunidades de melhoria.

Quais os elementos importantes para uma boa sessão de feedback?

Em primeiro lugar, é importante que o mentor esteja imerso no mesmo contexto que o professor, ou seja, o diálogo deve ser de educador para educador.  Vamos continuar com o exemplo da aula gravada. O mentor pode usar frases que descrevam exatamente o comportamento ou habilidade que o modelo pedagógico espera. Por exemplo, “o professor consegue compartilhar todo o conteúdo previsto, sem extrapolar o tempo da aula”. A essa afirmação pode ser atribuída uma nota ou conceito, dependendo da rubrica escolhida pela instituição.

Acompanhando o momento de “feedback”, reforçamos a importância do “feedforward”, ou seja, quando o mentor pode sugerir planos de ação e recursos educacionais que podem enriquecer o olhar do professor em relação aos pontos de melhoria.

Não podemos deixar de apontar que o momento de feedback é muito delicado por envolver as crenças tanto do mentor quanto do professor, além de suas próprias identidades. Nesse sentido, a relação entre mentor e professor deve ser de muito respeito e camaradagem, sempre visando ao crescimento de ambos.

Quais os principais cuidados para se fazer um bom feedback?

  • Criar uma nova cultura e mudar mentalidades: nem todo mundo gosta de compartilhar experiências. Algumas vezes somos nosso maior crítico, em outras, somos compassivos. Por isso, o momento de feedback deve ser bem planejado. Um primeiro cuidado deve ser no estabelecimento de critérios claros e uso de linguagem comum. Além disso, o professor precisa sentir  que o processo de feedback traz ganhos e nos faz enxergar aspectos que não conseguiríamos perceber sozinhos ou nas avaliações semestrais dos alunos. A cultura da prática reflexiva e do feedback deve ser implantada aos poucos no ambiente escolar, a fim de que o professor possa perceber o impacto que essa iniciativa terá em sua performance profissional.
  • Adequar vocabulário e linguagem: o bom feedback depende da existência de um vocabulário comum entre todo o corpo docente. Ex: Quando o modelo pedagógico define que todos os professores devem adotar metodologias ativas, é fundamental que essa terminologia seja conhecida e a prática seja dominada por todos. Em relação à linguagem, uma  dica é evitar o uso da palavra “mas” em feedbacks. Por exemplo: ao invés de dizer “Seus resultados melhoraram muito nesse semestre, mas…” o mentor pode dizer “Seus resultados melhoraram muito nesse semestre. Parabéns! Em relação ao gerenciamento de sala, que tal tentar …?”
  • Feedback é diálogo, não monólogo: em uma conversa, há tempo de falar e tempo de ouvir. Normalmente, é interessante ouvir primeiro. Pensar, refletir e então se manifestar. Convide o professor à autorreflexão e ouça o que ele tem a dizer. Nesse sentido, o feedback como ferramenta de formação docente tem uma particularidade: ele deve ser uma troca entre educadores.

Desenvolvimento Docente

Vale lembrar que o feedback é apenas uma entre as tantas maneiras de se desenvolver professores. Entre suas vantagens, está a velocidade da transformação. Uma vez que as oportunidades são identificadas de forma clara, demonstradas com evidências e discutidas com conhecimento e fundamentação, é possível gerar o engajamento necessário para a mudança.

Para ajudar sua escola a aplicar o feedback de maneira adequada durante o processo de formação docente, a Kanttum, empresa mineira que tem o propósito de melhorar a educação no Brasil, tem uma solução que vem sendo utilizada por várias escolas brasileiras. Fale com a gente e saiba mais sobre o assunto.

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