A frase que intitula esse artigo é de uma mulher que se tornou um dos maiores ícones quando o assunto é transformação digital e inovação em negócios no Brasil, Martha Gabriel.

Ao escrevê-la, Martha provavelmente pensava nos profissionais de modo geral, cada vez mais preocupados com o gráficos que apresentam a taxa de porcentagem de automação profissional no futuro, ou seja, a chance de serem substituídos por robôs em suas atividades profissionais.

Sabe-se que muitas atividades, de fato, serão substituídas e muito em breve. Também já sabemos que o potencial de automação é gigante nas áreas de hospedagem, serviços de alimentação, manufatura, transporte, agricultura e comércio, por exemplo. Serviços educacionais aparecem por último, com baixo risco de automação. Mas tem outro pensamento que eu gostaria de provocar a você, caro leitor, cara leitora: a tecnologia pode até não tirar o nosso lugar nesse campo, mas professores que utilizam a tecnologia terão um potencial muito maior de crescerem e fazerem um trabalho melhor.

Então eu quero te propor um exercício, vamos lá?

Conte quantos pontos você faz nesse teste:

Eu aproveito meus planejamentos de três anos atrás +20

Sobre tecnologias, utilizo o projetor +5

Não utilizo laboratório de informática/smartphones dos alunos +10

Não utilizo a internet, aplicativos e vídeos para preparar minhas aulas +30

Eu recuso as novas tecnologias na educação +40

Marcou mais de 15 pontos? Sinal vermelho! Mas calma aí, continua comigo que a gente cresce junto. E quero começar esse crescimento te apresentando um conceito sobre esse novo mundo em que vivemos: o mundo VUCA = volátil, incerto, complexo e ambíguo.

VUCA

Sobre volatilidade, podemos pensar nesse mundo como suscetível de rápidas mudanças, sem previsibilidade. O que virá a seguir? Não sabemos. Incerto, ou seja, somos incapazes de saber tudo sobre tudo o tempo todo, e sabe o que é legal? Está tudo bem! Está tudo bem não saber tudo, isso inclusive pode, pensando no lado bom, nos engajar em nos mantermos sempre aprendendo, assim como você está fazendo agora, percebeu? Bem, sobre ser complexo, nem preciso falar, não é? Complexo porque vivemos cada vez mais misturando as esferas do “real” com o virtual (virtual também é real, tá?), porque compartilhamos e vivenciamos experiências o tempo todo e estamos em um período de invenções que parecem sem fim. Ambíguo: não temos clareza e concretude sobre determinados fatos. Novos cenários vão surgindo e os antigos já não são parâmetro para nos basearmos neles.

Agora a gente entra na parte do robô que você NÃO quer ser. Sabe por que? Porque robôs são PROGRAMADOS. Isso significa que eles estão aptos a lidarem com situações nas quais foram programados a responderem com determinada ação. O que acontece quando o inesperado ocorre? Se ele contar com uma inteligência artificial que o auxilie, procurará um caminho baseado em suas programações, mas um robô não consegue julgar e decidir com empatia, com resiliência, com ponderamentos humanos. Por NÓS é quem somos humanos. Robôs repetem; nós inventamos, criamos, sentimos e fazemos sentir. É aí que entra essa nova figura importantíssima do novo educador.

Começo essa parte final das nossas reflexões com um pensamento que gosto muito: “Em vez de pensarmos como uma competição entre humanos e máquinas, vamos imaginar uma dança pas de deux combinando nossa inteligência e habilidades com a capacidade das novas tecnologias” (Barbara Dyer – MIT Sloan School Of Management). É isso, professor. Não há o menor sentido em continuar seguindo cegamente apenas a apostila ou promover a mesma aula há anos. Ou nos preparamos como profissionais e como pessoas inseridas nesse contexto VUCA, ou esse novo mundo nos engolirá enquanto se transforma. Para isso, algumas habilidades podem ser desenvolvidas: flexibilidade, manter-se um professor-estudante (lifelong learner) durante toda a vida e aceitar, ainda que com o senso crítico de sempre, o que surge. Nem sempre concordaremos com o que chega, mas devemos ao menos conhecer novos termos, novos aparatos, ferramentas que podem facilitar o nosso processo de ensino e que possa também nos aproximar, humanamente, dos nossos estudantes. Vamos?

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Kanttum
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