História por: Ana Maria Menezes

Compartilho aqui uma experiência vivida em 2015 enquanto dava aulas de inglês para um grupo de adolescentes.

Sabe aquele dia em que você decide começar sua aula de um jeito diferente? FOI ONTEM.

Não foi nada espetacular, mas me surpreendeu.

ADORO animações e tenho uma playlist no Youtube com os vídeos que acho legais para utilizar em sala de aula. https://tinyurl.com/sze4djm 

Cheguei na escola e estava com vontade de começar a aula com um vídeo. Saí do script, havia planejado uma aula completamente diferente.

Dei uma olhadinha na minha lista e decidi pelo vídeo “A Cloudy Lesson”. Assisti ao vídeo novamente e pensei no que poderíamos fazer.

Lembrei-me das aulas que tive durante o mestrado com a disciplina “Pesquisa Narrativa e a Formação de professores” com a professora Dilma de Mello e o professor Shaun Murphy. Alguns dias, nós começávamos com a leitura de uma história. Em seguida, cada um falava sobre as metáforas que percebia e a relação com o que estávamos estudando. Que momentos preciosos!

Pensei que poderíamos fazer o mesmo. Será que meninos e meninas de 13 e 14 anos conseguiriam perceber a relação entre a história e a experiência de aprender inglês? Resolvi tentar.

Assim que os alunos entraram na sala de aula já com as luzes apagadas, viram a imagem do vídeo projetada no quadro. Disse que iríamos assistir um vídeo muito bonitinho e que gostaria que eles tentassem encontrar conexões (não utilizei o termo metáforas para não assustar kkkkkk) entre a história do vídeo e a experiência de aprender inglês.

Paro nesse instante para que você assista ao vídeo e AÍ SIM, volte a ler o texto. https://tinyurl.com/v28rxuk

Assistiu? Agora, vamos ao que aconteceu em sala de aula.

Assim que o vídeo terminou, vi a ansiedade nos olhares dos alunos. Pedi que em pares, eles discutissem o que imaginaram, em inglês ou em português.

Depois de algum tempo, fui pedindo (em inglês) a cada dupla o que haviam discutido. Alguns alunos tentaram explicar em inglês, outros perguntaram se poderiam se expressar em português. “Claro, vocês podem se expressar em qualquer língua que preferirem”, eu respondi em inglês.

O que ouvi em seguida me trouxe um sorrisão nos lábios.

“Quando aprendemos outras línguas, aprendemos a nos expressar de diferentes formas. As nuvens de diferentes formas são as várias maneiras que podemos nos expressar em outras línguas.”

“Aprender línguas requer esforço. No começo é difícil, mas se a gente se esforçar a gente consegue.”

“O velho é o professor e a criança, o aluno. O velho mostrou ao menino como fazer a nuvem, mas o menino só conseguiu depois que ele tentou, tentou e tentou. Assim é com a gente também. O professor pode mostrar pra gente, mas a gente só aprende se tentar.”

“O menino aprendeu com o velho, mas o velho também aprendeu com o menino. Todos aprendem uns com os outros.”

“Aprender inglês é difícil. No começo, a gente erra, faz nuvens diferentes, mas não quer dizer que nossa nuvem tá errada, ela só é diferente.”

Que coisa linda, gente! Meninos e meninas de 13 anos, pensando e expressando como viam a experiência de aprender inglês. E não é que eles viram muito mais coisas do que eu havia imaginado?!

Recontando e revivendo essa experiência de 5 anos atrás, percebo como não só minha trajetória, mas também minha visão do que é ensinar mudou. Mais do que ensinar inglês, naquele dia, eu abri espaço em minha aula para o pensar e a comunicação das ideias. Mais que ensinar vocabulário e gramática do inglês, eu tive o privilégio de ouvir o que os alunos pensavam e como eles sentiam a experiência de aprender uma outra língua. Naquele dia, meu script mudou e eu aos poucos tentei ser mais do que uma professora de língua inglesa e construir um caminho como educadora.

Kanttum
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